Wednesday, July 10, 2013

A letter

Ei, sis. Como você está passando?

Sabe, outro dia eu estava me lembrando de quando prometemos que nunca deixaríamos que ninguém nos separasse. Você lembra? Aposto que sim. Dizíamos que ficaríamos juntas para sempre e, quem sabe, a gente até dividisse o mesmo namorado que nem aquelas gêmeas de filmes faziam. Hoje parecem promessas bobas, não é? Como se só porque nascemos no mesmo dia e na mesma hora estivéssemos destinadas a permanecer juntas. Porque se você parar para perceber, vai ver que nós nunca fomos iguais. Na verdade, fomos crescendo e nos tornando o verdadeiro oposto uma da outra.

Ainda me lembro de todas as vezes que você ficava chateada por eu bagunçar o nosso quarto, dos sermões que você me dava quando eu tirava uma nota baixa. Queria que as coisas tivessem continuado simples como eram naquela época, sabe? Queria que a única coisa que nos separasse fosse um quarto bagunçado ou um D em algum prova idiota. Mas tudo ficou tão maior que isso.

Não lembro exatamente quando a nossa promessa se quebrou. Talvez tenha sido quando você ficou do lado dos nossos pais, e não do meu, pela primeira vez. Talvez tenha sido quando eu comecei a andar com aqueles... Como era mesmo que você chamava?... “Punks”. É, acho que era isso. Ou quanto eu pintei o cabelo de rosa e a primeira coisa que você disse foi “Nossa, tá horrível!” e eu tive vontade de rir para não chorar, mas tudo que fiz foi jogar o travesseiro na sua cara.

Porque sabe, costumava ser nós duas contra o mundo. Sempre foi assim. E eu só aguentei tanto tempo naquela casa idiota porque ainda tinha você e eu achava, muito inocentemente, que sempre teria você. Mas o laço que nos unia, que sempre pareceu tão firme e inquebrável, foi se afrouxando aos poucos, até se soltar de vez. Eu sei que parece que foi de uma hora pra outra, que um dia eu acordei e descobri que não conhecia a pessoa que dormia ao meu lado, mas não foi. E quem sabe, se eu tivesse prestado mais atenção, perceberia que todas as nossas brigas nada mais eram do que a natureza mostrando que apesar de termos a mesma aparência nós éramos pessoas incompatíveis.

Mas eu não quis acreditar. Eu fechei os olhos completamente para o nosso lento distanciamento e só abri, assim de uma vez, como quem leva um susto, quando você decidiu virar as costas para mim.

“Não”

Foi tudo o que bastou. Nem lembro direito o que veio depois, provavelmente algo como “Você ficou maluca? Eu não vou fugir de casa com você”, mas o complemento da frase não machucou tanto. Foi aquele “não” que desabou nas minhas costas com todo o peso do mundo. Foi aquele “não” que me fez perceber que eu estava sozinha. Pela primeira vez na vida. E o que eu fiz? Eu fugi. Eu realmente fugi como disse que faria, mas te deixei para trás.

Mantive-me longe todos esses anos. Não porque eu não tenha sentido falta (porque você sabe que senti, como espero que você tenha sentido também), mas porque não fazia ideia de como me reaproximar. Não sabia nem se queria. Porque, no final de tudo, talvez eu fosse um pouco rancorosa.

Isso fez com que eu passasse horas e horas olhando para essa folha de papel em branco pensando no que escrever. Em dúvida se me desculpava ou exigia desculpas. Mas qual a diferença que uma simples palavra pode fazer depois de tanto tempo, tantos anos? Não. Não vou exigir desculpas (nem pedir) como se isso resolvesse e apagasse tudo, porque o mundo não é assim e acho que nós já aprendemos isso.

Nós não ficamos juntas para sempre, nem dividimos nenhum namorado. Mas o amor que eu sinto por você continua aqui, mesmo que velho e desgastado. Espero que ele ainda esteja ai também.

E o que eu queria nessa carta era que a gente tirasse um pouco ele daquela gaveta feia e sem brilho no qual o trancamos e tirássemos o pó. Até, quem sabe, ele voltar a bater um pouquinho. Porque ele não morreu, Allison. E nunca vai morrer.

Porque irmãs são pra sempre.


Com amor,
Addison


Esse post faz parte do 30 days writing.
Dia 10 — Escreva uma carta.

1 comment:

  1. Fico feliz de saber que você está participando do 30 days writting! E mais feliz ainda de ver o quanto você escreve bem. Sério, essa carta ficou lindíssima!

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