You're my obsession
My fetish, my religion
My confusion, my confession
My fetish, my religion
My confusion, my confession
31 de Julho de 2002
Às vezes me pegava pensando sobre o verdadeiro motivo de ter continuado com Yuuji durante todos aqueles anos. Se eu procurasse por uma resposta lógica iria perceber que não havia uma. Tudo o que ele me dava se resumia a hematomas, cortes, arranhões e sexo. Não haviam beijos de despedida antes de sair pra faculdade ou pro trabalho, não havia conversas leves no café da manhã, nem carinhos no sofá, nem mesmo abraços. Não havia nada. Quando ele me queria ele me tinha e assim que se satisfazia parecia que eu não estava mais ali.
E mesmo assim não me iludi com relação a ele, porque nunca quis mais que aquilo. Estava satisfeito com o sexo, com os as manhãs silenciosas e com a ausência das conversas bobas e sem sentido.
Eu o conhecia desde que podia me lembrar e em todas as minhas memórias borradas de infância a única certeza que tinha era que ele sempre esteve ao meu lado, o calado e mal humorado Yuuji. Conhecia cada detalhe, cada gesto, cada fio de cabelo, cada expressão facial, tudo. Ele sempre foi parte da minha vida e nem conseguia imaginar como seria sem ele ali, me encarando em silêncio do outro lado da mesa, enquanto tomava chocolate quente - pois ele detestava café - naquela xícara azul anil, os cabelos presos em um rabo de cavalo baixo.
Era até engraçado pensar que todo o meu mundo se baseava nele, que sempre havia sido assim e que antes de conhecer Kai eu achava que sempre seria. Porque nunca quis amor (embora houvesse), nem beijos debaixo da chuva ou andar de mãos dadas na rua. Eu o queria exatamente como ele era e não precisava de nada além dele.
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