Friday, September 9, 2011

Definições

Quando você tinha quinze anos se sentia culpado por nunca ter se apaixonado. Nessa idade, parecia que todos eram obrigados a gostar de alguém, a encontrar um objeto de desejo por quem soltariam suspiros apaixonados pelos cantos. Mesmo que eles não durassem por muito tempo.

E quando você dizia que não tinha alguém por quem suspirar eles sempre tentavam te jogar para cima da primeira pessoa que aparecia. Você apenas ria e achava graça. E deixava pra lá.

Tinha certeza de que nunca havia sentido aquilo que seus amigos chamavam de paixão. Você nunca sentiu suas mãos suarem frio, nem borboletas no seu estômago e muito menos suas pernas bambas por estar ao lado de alguém.

Embora às vezes você sentisse algo que não conseguia definir. Vontade de abraçar alguém que passava na rua. Ou sorrir para alguém no metrô. Até de beijar alguém bonito. Mas essas sensações sempre passavam tão rápido quanto vinham. E eram por pessoas aleatórias.

Você sentia seu coração quebrado também. Mas nunca ninguém chegou perto o suficiente para ter a oportunidade de quebrá-lo. Era como se ele sempre tivesse sido assim. Às vezes ele doía. Doía tanto que a única coisa que você podia fazer era abraçar a dor. Segurar até que ela dormisse.

Às vezes você se perguntava se tudo isso era amor. Mas não era possível, não é? Se fosse amor você saberia.



Bem. Talvez fosse.

Talvez fosse amor quando você chorava assistindo Romeu e Julieta ou qualquer outro romance trágico. Talvez fosse amor quando você acabava de ver alguma comédia romântica com um sorriso no rosto. Quando no final de cada filme sentia como se tivesse sido você a passar por tudo aquilo.

Quando se afogava em historias que nunca viveria, em sentimentos que não eram seus - mas que você conseguia sentir tão intensamente - ou se apaixonava por personagens que só viveriam por algumas horas.

Se apaixonava? Sim. Por eles. Pelos sentimentos que eles mostravam. Pelo amor.

Sempre pelo amor.


A verdade era que esse amor sempre estava presente na sua vida. E você se sentia tão cheio dele que na falta de alguém com quem compartilhar ele só conseguia sair através das lágrimas.

Não que você já não tivesse procurado por um lugar onde depositá-lo. Mas é que você sentia como se mesmo que uma fração mínima dele fosse demais para qualquer outro suportar.

E você precisava dele também. Já não conseguia simplesmente ignorar. Procurava por ele em todos os lugares, todos os dias.


Até se sentir transbordar. Até quebrar o seu coração, de novo.

E de novo. E de novo.

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