Wednesday, September 28, 2011

But it's grown inside your wounded soul

Sentia como se já o amasse mesmo na primeira vez em que coloquei os olhos nele.

Amava-o pelo brilho que emanava dele, pela sua beleza, sua impetuosidade, coragem, pelos límpidos olhos azuis que sorriam tanto quanto seus lábios. Amava-o por seus sorrisos brancos e pelas gargalhadas divertidas que aqueciam todos ao redor, por sua maneira simples e bela de olhar o mundo. Tão único. Amei por ele ser meu oposto. Aquilo que eu nunca conseguiria ser, mas pelo que ansiava desesperadamente.

E odiava-o. Odiava tanto que chegava a doer. E quando ele olhava para mim, eu sentia vontade de sufocá-lo com meus dedos, de cortar sua garganta e assisti-lo se afogar no próprio sangue, de beijá-lo e de me jogar em seus braços e sentir sua luz trazendo o calor para o meu corpo sempre frio e escuro.

Sim, pois eu era a escuridão, a solidão e o desespero. E tinha plena consciência de que mesmo se me agarrasse à ele e não mais o soltasse, ainda assim, sua luz jamais seria minha. O odiei ainda mais.

Embora nunca parecesse ser o suficiente para matar o amor.

Odiava-o por ser quem era e por ser ele completamente alheio a própria perfeição, pela inveja que me consumia cada vez mais e pelo amor que ele nutria por mim.

Por mim! Aquela coisa pútrida, sombria, infeliz e auto-destrutiva, que precisava tanto de salvação mas não conseguia pegá-la nem quando ela o abraçava e lhe implorava para que a amasse.

E nada do que eu dizia parecia capaz de afastá-lo, mesmo quando eu tolamente achava que poderia destruí-lo. Minhas palavras mais rudes soavam doce em seus ouvidos e todo o meu amor, ódio, necessidade e desespero só pareciam excitá-lo ainda mais.

Então percebi que nunca me livraria dele realmente. Nunca conseguiria apagar a luz em seus olhos, em sua alma.

E eu estava lentamente sendo queimado por ela.

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